domingo, 12 de fevereiro de 2012


  Que bom saber que minhas ideias estão sendo proveitosas! Tenho recebido diversos comentários de colegas que gostaram de minhas sugestões e, no entanto, fico sem saber se realmente foi proveitoso. É interessante que eu receba esse retorno para que eu posso avaliar e, consequentemente, rever, aperfeiçoar, pois somos seres em constante aprendizagem. Gostaria de poder  continuar em contato com os colegas que usaram as atividades sugeridas neste blog .

É muito gratificante poder contribuir!
agosto/2011. 
Na redação do JORNAL ESTADO DE MINAS


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Colecionadores diVersos: Penso ou sinto?

Nasce um blog de meus alunos...
Muito sucesso é o meu desejo!
Parabéns, Mateus, pela iniciativa. Está lindo!

AGORA, ARRASEM

!Colecionadores diVersos: Penso ou sinto?: Eu penso no amor, mas eu sinto paixão. Eu penso no futuro, mas eu só sinto o passado. Eu penso em viver a vida, mas eu sinto que a morte se ...

sábado, 15 de outubro de 2011

NO NOSSO DIA...

AINDA ACREDITAMOS APESAR DE """VOCÊS"""- GOVERNO, ETC E TAL.

Apesar de você
Chico Buarque/1970

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc. e tal


NESSE NOSSO DIA, ABRAÇOS A TODOS PROFESSORES QUE ACREDITAM NUM NOVO DIA...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

terça-feira, 2 de novembro de 2010

AGORA SÓ EM 2012!


Não foi desta vez!


Concorrer... 

entusiasmo abre o caminho
mergulhar em gostosas leituras
entusiasmar meu aluno
preparar 
descobrir novas alternativas
ver o crescimento de cada um
seus olhinhos brilhando
esperança...
quantos textos nascem
inacreditável
ver resultados inesperados
o meu aluno pode ser selecionado
mas não fora desta vez...
Valeu?
Valeu, sim 
pequenos autores serão grandes amanhã!

Um abraço,
até a próxima olimpíada em 2012 . 
E só!

Professora Aparecida

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

OLIMPÍADA COMEÇA A SELECIONAR CANDIDATOS PARA FASE NACIONAL

Os 125 estudantes do nono ano do ensino fundamental e do primeiro ano do ensino médio selecionados na fase estadual da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, no gênero crônica, participam, de 3 a 5 de novembro, em Curitiba, da etapa regional do concurso. Desse grupo de autores serão escolhidas as 38 melhores crônicas que vão para a fase nacional. O encontro será no Tulip Inn Santa Felicidade, no bairro Santa Felicidade.
A dinâmica da fase regional montada pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), entidade que coordena a olimpíada, divide os estudantes em quatro grupos, que ficam em salas separadas. Dois formadores por sala orientam as atividades de produção e aperfeiçoamento dos textos.
O mesmo esquema acontece com os 125 professores de língua portuguesa que acompanham os alunos. Nos três dias de encontro, alunos e professores participam também de atividades culturais e recreativas.
Calendário – O Cenpec elaborou um calendário para o mês de novembro que compreende quatro encontros regionais, um para cada gênero literário. Depois de Curitiba, de 8 a 10 de novembro, acontece o encontro regional da modalidade poema, em Fortaleza, para alunos do quinto e do sexto ano do ensino fundamental; de 10 a 12, em Belo Horizonte, será o encontro do gênero memória, com alunos do sétimo e oitavo ano do ensino fundamental; e de 16 a 18, em São Paulo, o tema é artigo de opinião, para os concorrentes do segundo e terceiro ano do ensino médio. Em cada gênero literário participam 125 estudantes selecionados nas fases anteriores da olimpíada.
Ao final dos encontros regionais, 152 estudantes, sendo 38 por categoria, irão à etapa nacional, prevista para 29 de novembro, em Brasília, quando serão anunciados os 20 vencedores, cinco por gênero literário.
Trajetória – A Olimpíada de Língua Portuguesa teve em 2010 a participação de 141.332 professores e 59.803 escolas públicas de educação básica. Educadores e unidades de ensino representam as 27 unidades da Federação e 5.488 dos 5.565 municípios brasileiros. O Lugar Onde Vivo é o tema que orienta os trabalhos de alunos e professores. A competição é promovida pelo Ministério da Educação e pela Fundação Itaú Social e coordenada pelo Cenpec

Fonte: MEC
Acesso em: 31/10/2010

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

RECADO AOS LEITORES

         Gostaria que tecessem comentários acerca do que posto, preciso avaliar meu trabalho , afinal de contas estou expondo meu aprendizado, minhas descobertas e gostaria de um feedback com os leitores desse blog.
       Conto com  compreensão de vocês, quero retorno, para que eu conserte o que for preciso. 
Abraços,
Aparecida

domingo, 24 de outubro de 2010

FIGURAS DE LINGUAGEM - APLICAÇÃO DO APRENDIZADO

Como sabem, abandonei os livros didáticos e estou trabalhando com as sequências sugeridas nos cadernos das olimpíadas. Os resultados são impressionantes...


Hoje vou postar um pequeno conto de uma aluna de 13 anos. A proposta foi que fizessem uma produção empregando as figuras estudadas e que eles dessem destaque a uma delas.Dei liberdade de escolha do gênero. Analisamos a presença de figuras como recurso linguístico enriquecedor do discurso. O gênero explorado era a crônica , mas já estudamos conto e memórias literárias. Eles escrevem para ler para os colegas e em momentos de socialização para toda a escola e eventualmente, postar nesse blog.

                                                                   SINESTESIA
      Nos lugares por onde passo sinto o amor, o ódio, a paz... Mas tudo isso é como um vento que passa pelo meu rosto e rapidamente entra pelas flores levando aquele cheiro que fica no ar e que deixa uma sensação de encanto ao redor.
     E, de repente, sinto um aperto no coração. Parece estar sendo esmagado e por alguns segundos sinto-me como se estivesse flutuando na imensidão do mundo, mas, logo depois, me deparo com meu corpo ali jogado. Finalmente caiu a ficha - eu estava morta.
                                                                                          (Fernanda, 13 anos, 7º ano)

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Meu Avô


Pra falar do meu avô
A minha infância invocarei
Ela é o caminho da roça
Que me leva ao Quilombo
Na crina dourada do tempo
Do meu cavalo baio


Vou partir de minha infância
Venham comigo
Cachoeira do Salto
Rio acima
Ao Poço Fundo passo
Margeando o rio Preto
E chego ao Quilombo.






E no canto de minha memória
No banco da varanda em L
Meu avô comanda a fazenda
Tudo bem cuidado
A tempo e a hora
Com Maria  e Lucinha
E eu o que estou a fazer? 

No pé de pitanga
Ou de manga
Escuto o Quilombo
Na voz do meu avô.


Se ciganos passassem
Pelas bandas do Quilombo
A mais bela mula da tropa
Com ele ficaria
Gostava de uma boa mula
Tinha que ser grande como ele
E nela só ele montava .


Pelego vermelho
Rabicho e peitoral
E seu chapéu de lebre
- Era o mais bonito dos avôs-
Seus olhos azuis
Infinitamente
Subiam a Serra. 


Voltava altas horas
E a fazenda acordava
As esporas no assoalho
E Maria ainda levantava
Seu leite quente era sagrado.


De madrugada o rádio ligado
O Zé Bétio ou outro programa
Tinha que ter modão
Eu tenho uma mula preta
Tem sete palmos de altura
E a música entrou pelos meus ouvidos.


Via no estudo toda possibilidade
De mudança e de avanço
De mão no futuro pros netos
o mundo conquistar...


Assim termino meus versos
Mas antes quero dizer
Um orgulho tenho eu
De seus descendentes
Somente eu aqui fiquei.
                                                                          (Maria Aparecida Ferreira Morais)



sábado, 9 de outubro de 2010

DEPOIS DA OLIMPÍADA...

 O material preparado para trabalharmos a olimpíada ultrapassou a qualidade dos livros didáticos. Não consegui voltar aos livros didáticos com esse riquíssimo material em mãos - readaptei o planejamento e sem medo de errar mergulhamos nas outras oficinas... Afirmo que o resultado superou minhas expectativas.

Brevemente publicarei os textos produzidos : o 6º ano está desenvolvendo MEMÓRIAS LITERÁRIAS, O 7º e o 8º anos trabalham CRÔNICAS e o 9º ano está com ARTIGO DE OPINIÃO. Está sendo muito bom!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

ÚLTIMAS INFORMAÇÕES SOBRE A OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA (do site: http://escrevendo.cenpec.org.br

A chama da Olimpíada de Língua PortuguesaEscrevendo o Futuro percorreu Estados, cidades e escolas públicas de todo o país. Os números impressionam, já que nesta segunda edição estima-se a participação de quase 7,2 milhões de estudantes, em 5488 municípios que aderiram ao programa. O trabalho com criação de textos em sala de aula foi realizado por 141.468 professores em 60.123 escolas de todas as regiões do Brasil.
No total foram 239.458 inscrições nas quatro categorias: Poema, Memórias Literárias, Crônica e Artigo de Opinião. O número de inscrições é maior que o número de professores, pois muitos deles estão trabalhando com mais de um gênero em turmas diferentes. Veja o número de inscrições em cada gênero:
Categoria Número de Inscrições
 Poema 101.447
 Memórias
 Literárias
 58.697
 Crônica 27.425
 Artigo de
 Opinião
 51.889

Ao longo do primeiro semestre foram inúmeras as atividades realizadas nas escolas. Mas antes das atividades em sala de aula, aconteceram ações de formação para educadores e técnicos de secretarias de Educação de todos os Estados brasileiros. Inscrições feitas, a coleção de publicações e de outros materiais pedagógicos da Olimpíada seguiram para as escolas, onde professores começaram o trabalho com as oficinas. No começo do segundo semestre foram realizadas as seleções de textos nas escolas e até setembro cada cidade participante escolheu os seus vencedores.
As Comissões Julgadoras Estaduas já começaram
Em outubro ocorre a etapa estadual do programa. Foram avaliados cerca de 17.700 textos, resultado de um esforço coordenado e do trabalho de 194 avaliadores. De acordo com Sonia Madi, coordenadora pedagógica da Olimpíada, a análise dos textos terminou dentro do prazo estipulado graças à inovação desta edição, quando foi introduzida a avaliação online: “Todos os textos foram digitalizados e encaminhados para avaliadores em todo o Brasil. Esse recurso também permitiu mobilizar mais avaliadores, uma vez que estes podem fazer leitura e atribuição de notas nos computadores de suas próprias casas”, ela afirmou.
Até o dia 17 deste mês cada Estado escolherá os seus semifinalistas para as oficinas nacionais. Os coordenadores estaduais, com apoio de representantes da Undime e do Cenpec, serão os responsáveis pela organização das Comissões Julgadoras Estaduais. As comissões do Amazonas, Amapá, Bahia, Pernambuco, Piauí, Goiás e Paraná já fizeram a seleção dos textos nas quatro categorias. Até 8 de outubro será a vez das comissões de Roraima, Mato Grosso do Sul, Acre, Espírito Santo, Rondônia, Tocantins, Alagoas, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. E entre os dias 13 e 16, Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe e Pará concluem as suas seleções. É desta etapa que sairão os 500 alunos semifinalistas. Os estudantes viajarão para as oficinas regionais em uma das seguintes capitais: Curitiba, Fortaleza, Belo Horizonte ou São Paulo.

05 DE OUTUBRO DE 2010 - REPRESENTANTES DA SECRETARIA DA EDUCAÇÃO VISITAM NOSSA ESCOLA


Registro do momento em que o pessoal da SEE- MG conversa com os alunos das turmas do 2º, 3º e 4º anos em minha sala de aula . Foi um prazer recebê-los!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

FERNANDO PESSOA

 Quantas vezes li Fernando Pessoa em meus momentos de insegurança, de busca de mim mesma, de auto-afirmação, de questionamentos!... Lia em alta voz porque sentia necessidade de ouvir o som das palavras que entranhavam em meu âmago e me fortaleciam... e agora essa viagem nas palavras de Antônio Gil...


Fernando Pessoa: íntimas passagens
2605_fpessoa_gde.jpg “Para ser grande, sê inteiro: nada/ Teu exagera ou exclui. / Sê todo em cada coisa. Põe quanto és/ No mínimo que fazes. / Assim em cada lago a lua toda/ Brilha, porque alta vive”.(F. Pessoa).
São Paulo, Estação da Luz, quinta-feira, 11 horas. Museu da Língua Portuguesa. Exposição: "Fernando Pessoa, Plural como o Universo".
“Sou hoje o ponto de reunião de uma pequena humanidade só minha”. (F. Pessoa).
Entro no elevador com o coração solene de expectativas. Dou de cara com alguns dos plurais do poeta português: os heterônimos mais conhecidos, lidos e impregnados na pele leitora dos amantes da poesia. Reencontro Alberto Caieiro, o guardador de rebanhos; Ricardo Reis, o que vivia no Brasil desde 1919; Álvaro de Campos, que teve educação vulgar de Liceu, um tipo vagamente de judeu português; Bernardo Soares, um semi-heterônimo e Fernando Pessoa, o próprio: o guardador dos plurais.
Reparo discretamente nos painéis que acolhem cada visitante no passeio pela exposição.Todos os “Fernandos” de chapéu escuro, óculos, gravata e casaco aos joelhos. E o mesmo ar quase misterioso. Misto de timidez com um ar sisudo e discreto.
Tudo começa com a apresentação do poeta. Há um bar avermelhado, mesas e cadeiras suspensas, com direito a café em xícara branquinha e um manuseio imaginário da revista Orfheu. Ali, à mesa, Fernando Pessoa (1888-1935) rabiscaria talvez o próximo poema. Somos espreitados e protegidos pelo seu chapéu suspenso que nos acolhe e nos convida a encontrar o poeta plural e único. Temos vivificado na imaginação, o retrato que Almada Negreiros fez do homenageado, em 1954.
Em pequenos nichos ainda visitamos brevemente os heterônimos. Biografias particulares.Temos instantâneos com cada um deles, com direito a trechos de poemas que se movimentam no escuro a partir dos nossos movimentos transeuntes e ingênuos. Parecem reinventar e remexer os desenhos poéticos do autor. Pelo nosso olhar desejoso de compreender, sentimos um pouco do sopro possível do ato criador, do fazer poético de cada heterônimo em seu micro universo.
“Com uma tal falta de gente coexistível, como há hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos, ou, quando menos, os seus companheiros de espírito?” (F. Pessoa).
Vou me adentrando na exposição. Pouco a pouco e em poucos minutos vamos nos aconchegando no plural do poeta, o guardador da humanidade. Ali, visitantes temporários, saboreamos dos sentimentos exalados nas palavras da sua poesia. O essencial é saber ver, lentamente, no espaço que nos foge de alguma presença. Sentir? Saber ver? Talvez uma breve experiência da aprendizagem de desaprender. Estamos ali passeando, apenas. Pelas paredes, negros muros, passam vários “Pessoas” estampados em branco. Branco no preto. No preto que guarda todas as cores, se estampa o poeta, guardador de todas as palavras. Temos a nosso dispor uma breve constelação que brilhará no nosso pequeno universo desconhecido e inteligente.
Do outro lado, paredes com mais imagens, fotos, fac-símiles dos tantos manuscritos desse homenageado. Há um labirinto com poemas em relevo nas paredes. Há transparências, onde mergulha o nosso olhar infantil. Nas paisagens do mar e de Lisboa, revisitamos Fernando Pessoa que ressurge como personagem-paisagem. Tudo brota em nosso imaginário, desbotado pelo viver rápido e fugidio. Aprendemos um tanto nessa breve experiência de passagem e calma com as palavras. Ouvimos vozes múltiplas e expressivas declamado trechos do poeta. Testemunhamos o tique-taque da máquina de escrever trabalhando na luta com as palavras, o som de pássaros perto do mar. Talvez, o barulho da alma cantante das palavras...
Fernando Pessoa vai convivendo no mais íntimo do humano em nós. Coexiste. Sinto um silêncio generoso que nos abraça de quando em vez, através de seus versos. As palavras dos poemas gravadas pelo nosso olhar ressuscitam nossa própria vida fugaz. Fernando Pessoa está ali, grandioso. Ficamos como girassol fitando o sol antes da noite avassaladora nos invadir.
Num recanto um grande espelho brinca com nossa identidade. Quem sou? Quem somos? ” Não sei quem eu sou, que alma tenho”. “Há mais eu que eu mesmo”. “Sinto-me múltiplo”. Somos amalgamados por essa idéia que nos deforma frente ao espelho. Isso. Idéia forte, concreta, pungente. A da coexistência.
“Que voz vem no som das ondas/ Que não é a voz do mar? / É a voz de alguém que nos fala,/ Mas que, se escutarmos, cala,/ Por ter havido escutar.”(F.Pessoa).
Respiro mais forte e continuo.
Duas grandes fotos com o rosto do poeta se abrem ao próximo espaço. Amplo. Ao fundo dois telões: à esquerda, o mar da multidão humana. Na multidão de pessoas o movimento contínuo, a busca do eterno compreender, descobrir. Somos um, únicos e muitos. À direita, o mar. As ondas e o encontro das águas com as rochas, o contínuo movimento da vida. A eternidade? Ao centro, um espaço solene: um quadrado feito com uma pintura renascentista de Nuno Gonçalves impera majestosamente. Como um altar. Um monumento. Uma homenagem ao espírito navegador português? Logo me veio à mente o lema fiel do poeta: “Navegar é preciso; viver não é preciso”. Ao meio uma bola: o universo, o pêndulo do tempo? Nem ouso pensar mais. Distraio-me com duas brancas pranchas que saem das laterais. Vemos as palavras do poeta se desenharem aos nossos olhos, letra por letra, palavra por palavra na areia do mar luso, como se estivessem se escrevendo no momento criador do poeta. Pouco a pouco elas configuram nos versos e estrofes de Mensagem. Depois se apagam com o movimento do mar, levando-as para a imensidão. Fica o encantamento leitor.
Bem em frente ao monumento a Portugal uma mesa comprida, como a de um banquete. Também bancos recobertos de veludo pálido para a gente se servir de aconchego. Ali, sobre a mesa comprida, inaugura-se outra exposição: uma coletânea dos muitos livros de e sobre Fernando Pessoa, publicados em vários países a serem saboreados. Nosso olhar dança no manuseio das páginas das edições espalhadas ludicamente. O solene vira cotidiano. O altar vira uma sala de leitura. Sobre a mesa, há ainda a projeção de um manuscrito do livro Mensagem, com anotações do autor. Suas páginas podem ser viradas por meio de um sensor.
Ao longo das paredes, podemos também passar o nosso olhar por várias publicações do homenageado: livros, revistas, quadros, fotos, objetos e uma maquete. Entre os documentos, há revistas publicadas nas décadas de 10, 20 e 30 do século passado, como a "Portugal Futurista", marco do movimento modernista português.
“Da mais alta janela da minha casa/ Com um lenço branco digo adeus/ Aos meus versos que partem para a Humanidade”. (F. Pessoa).
No corredor de saída temos, para o nosso saber sobre o poeta misterioso e pouco revelador de si mesmo, um painel cronológico. Podemos nos enveredar por várias descobertas. O que pude verificar rapidamente numa consulta enviesada ao painel é que em 1894, com seis anos de idade, o menino Fernando Pessoa se desdobra já em seu primeiro heterônimo: Chevalier de Pas. Com sete anos escreve seus primeiros versos em homenagem a mãe. Com 14 anos, cria pequenos jornais. E, a partir de 1906, com 18 anos, inicia a criação de uma multiplicidade de alter-egos e vários heterônimos. Há muitos outros detalhes para saber e descobrir.
Saio aturdido, feliz, plenamente acolhido pela poesia do guardador de tantos e de todos nós.
Antonio Gil Neto


(Fonte: Blog da Comunidade Virtual Escrevendo o Futuro : http://escrevendo.cenpec.org.br/ecf//index.php?option=com_content&task=blogsection&id=13&Itemid=70)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

TRANSCRIÇÃO DO BATE-PAPO COM SÔNIA MADI SOBRE O TRABALHO DAS COMISSÕES JULGADORAS E AS FORMAS DE AVALIAR UM TEXTO - DO SITE DA COMUNIDADE VIRTUAL ESCREVENDO O FUTURO

Bate-papo com Sônia Madi: veja como foi
22-Set-2010
2606_sonia_gde.jpgO trabalho das comissões julgadoras e as formas de avaliar um texto. Essas e outras questões foram respondidas pela coordenadora pedagógica da Olimpíada, Sônia Madi, em pouco mais de uma hora de bate-papo virtual que aconteceu no dia 21 de setembro. Veja como foi a conversa.



 Sonia Madi - Olá, pessoal, tudo bom? Estou animada em participar de um bate-papo sobre a seleção dos textos!  Sonia Madi - E, antes de começar, queria dizer que acabo de receber o telefonema de um avaliador dizendo que um dos poemas que está avaliando era muito bom e, para certificar-se da autoria, consultou o Google e descobriu que é um plágio. Posso contar qual foi a orientação que demos, mas gostaria de refletir com vocês a respeito da melhor conduta numa situação como essa. E então, o que acham?
P - Seria ótimo conversar um pouco sobre isso, Sônia. Acho que é o caso de desclassificar o texto, não?
Sonia Madi - Sim, o texto deve ser desclassificado. No entanto, dependendo da função que o avaliador exerce na rede de ensino, ele poderá aproveitar essa situação e transformar numa oportunidade para conhecer melhor o que ocorreu e orientar o professor, a escola e o município que selecionou um texto como esse.
P - Qual o limite para saber se é um plágio ou uma paródia?
Sonia Madi - Eis uma boa questão. Uma paródia guarda semelhança com o texto original, a ponto de lembrar aos leitores da obra a que se refere. Já o plágio tem a intenção de mascarar, enganar, iludir o leitor e fazer crer que ele é o autor. A paródia não pode ser desclassificada, pois é legítima como produção, enquanto o plágio deve ser desclassificado tão logo seja descoberto.
P - Devemos lembrar que plágio é crime, pois o plagiador apossa-se da obra como se fosse sua.
Sonia Madi - Exatamente!  Por isso deve ser desclassificado. Além disso, os educadores que acompanham o trabalho realizado nessa escola deveriam dar uma atenção especial. Isso é um tipo de "corrupção" altamente danosa para a criança e precisa ser desmontada.
P - A minha preocupação é com o tempo que as comissões têm para analisar estes detalhes e os recursos disponíveis no momento da seleção.
Sonia Madi - Num concurso como a Olimpíada, com várias etapas, contamos com muitos olhares ao longo do processo e acreditamos que esses problemas acabam sendo identificados. Além disso, nas oficinas regionais, trabalhamos com cada aluno e temos condições de verificar a autoria.
P - Se o texto foge ao gênero ele será desclassificado?
Sonia Madi - O texto concorre em uma categoria. Se ele fugir ao gênero, não poderá ocupar essa vaga. Contudo, o importante é diferenciar entre um texto que não é "modelar" do gênero, mas cumpre os objetivos próprios desse gênero e um texto que está de fato fora e deveria ser desclassificado.
P - Gostaria de colocar mais um ponto nessa conversa. A avaliação também é uma "matéria" que deve ser experenciada, ensinada durante os trabalhos. É muito importante o lugar da autoavalição , não é? Seria bem legal se acontecesse uma "comisssão" durante as oficinas organizada entre os alunos. O que acham?
Sonia Madi - Com certeza a autoavaliação é importante! De acordo com os Cadernos, sugerimos que os alunos façam uma leitura cuidadosa e procurem avaliar a própria produção antes de finalizá-la.
P - Sônia, as comissões municipais podem divulgar o resultado da etapa municipal? Tentei várias vezes na Secretaria do meu município, mas alegaram que não estão autorizados a divulgá-lo. Seria interessante sabermos.
Sonia Madi - A comissão municipal pode divulgar os resultados e festejar com os vencedores. Sabemos que alguns municípios preferem aguardar por causa dos suplentes, que por vezes substituem os "titulares". Você não imagina quantos envelopes chegaram até nós com textos diferentes dos selecionados pela Comissão Municipal. Neste caso, entram os suplentes, entende? Daí, a divulgação feita fica comprometida.
P - Tenho encontrado textos muito bons nesse processo de avaliação. Tão bons que fico na dúvida se são mesmo de autoria dos alunos. Devo desclassificá-los?
Sonia Madi - Com certeza não!!! Precisamos dar um voto de confiança e acreditar que aqueles que participaram das oficinas com empenho devem produzir bons textos. De qualquer forma, nas oficinas regionais a coordenação da Olimpíada terá condições de comparar o texto enviado para o concurso com outros produzidos presencialmente.
P - Falando em desclassificação, devo desconsiderar um texto porque este não traz o nome do local onde o aluno vive?
Sonia Madi - O tema é uma questão para ser bem analisada. Para falar do lugar, não é necessário que o mesmo seja explicitado. O importante é que o texto traga elementos que permitam ao leitor imaginar que lugar é esse!
P - Qual o critério para se determinar o número de avaliadores na comissão julgadora estadual?
Sonia Madi - A Comissão Julgadora é definida em comum acordo com a coordenação da Olimpíada. Depende do número de textos recebidos pelo Estado e do tempo disponível para leitura por parte dos avaliadores. Temos uma base de cálculo de 40 textos avaliados por período de 4 horas, em média. De nossa parte, tenho a informar que os textos foram digitalizados e que já temos cerca de 14 mil textos avaliados na estapa estadual.
P - O que fazer quando o texto de memória não é escrito na primeira pessoa?
Sonia Madi - A orientação nos Cadernos é que o texto seja escrito na primeira pessoa, deixando entrever que não se trata do autor, que é um texto baseado em entrevista. No entanto, gostaria de lembrar que nenhum critério é excludente. O texto precisa ser avaliado no seu todo!
P - Os alunos classificados na etapa estadual ficarão sabendo do resultado logo após as comissões?
Sonia Madi - Assim que terminar cada comissão estadual, os responsáveis pelas redes estadual e municipal entrarão em contato com as secretarias e órgãos regionais de ensino, para que esses informem as escolas.
P - Durante a avaliação dos textos, é importante levar em conta que as oficinas regionais acontecerão, não é mesmo? Digo isto porque é possível encontrar um texto com alguns problemas e considerar que estes problemas podem ser trabalhados durante as oficinas, no momento da reescrita. Este é o caso da terceira pessoa em Memórias! É isto?
Sonia Madi - Ótimo comentário! É isso mesmo! Os professores serão orientados para observar no texto aspectos que ainda não haviam identificado e terão a chance de trabalhar com seus alunos para o aprimoramento dos textos. Transformar um bom texto de 3ª para 1ª pessoa é relativamente simples.
P - Sonia, quantos textos serão classificados para a etapa regional?
Sonia Madi - Serão 125 textos de cada gênero na etapa regional, no mínimo 1 por Estado. No total teremos 500 semifinalistas (= 4 X 125).
P - A escola pode publicar no jornal da cidade o texto escolhido na comissão municipal?
Sonia Madi - Recomendamos que a escola divulgue os textos, pois assim eles cumprirão sua finalidade principal, a de serem lidos por diversas pessoas. Se o jornal da cidade for acessível, é um ótimo espaço para valorizar a produção do aluno e o trabalho do professor!
 P - Gostaria de saber se após a comissão municipal aconteceu algum caso de texto desclassificado?
Sonia Madi - Infelizmente pode ocorrer desclassificação por vários motivos. Um dos problemas é o texto indicado na ata como vencedor não ter chegado até nós. O envelope vem com a ata e não traz textos, ou vem com outros textos diferentes dos selecionados.
P - Acho importante que os avaliadores pensem no processo, afinal, como você mesma salientou na Comunidade Virtual, nenhum critério deve ser evidenciado ou colocado em destaque: sabendo da possibilidade de um trabalho de reescrita orientado pelo professor, textos que apresentam problemas pontuais podem muito bem ser melhorados: é o caso também das rimas nos poemas, dos problemas gramaticais, do reforço em argumentos nos artigos de opinião e por aí vai. Acho que é preciso valorizar as coisas boas que se mostram nos textos, você concorda?
Sonia Madi - Sim, com certeza é preciso muita sensibilidade, por parte do professor, para identificar textos com potencial. As oficinas regionais se incumbem de contribuir para aprofundar a orientação dada aos professores com vistas ao aprimoramento dos textos por parte dos alunos.
P - E no caso da comissão municipal não ter enviado no prazo, mesmo as escolas tendo sido pontuais?
Sonia Madi - A desclassificação por problemas operacionais é da competência da coordenação da Olimpíada e por questões quanto ao conteúdo do texto é da competência das comissões julgadoras. Mas as escolas podem solicitar explicações para a comissão que atrasou no envio do material.
P - Foi solicitado levar o relato de prática na próxima etapa. Será enviada alguma orientação para o professor?
Sonia Madi - As orientações para o relato de prática serão disponibilizadas na nossa Comunidade Virtual.  Assim, mesmo sem saber se o professor é semifinalista, ele poderá trabalhar nesse relato, que acreditamos seja um importante instrumento para a reflexão sobre sua prática.
P - Tenho interesse no relato. Quando as orientações serão publicadas? Já tem previsão?
Sonia Madi - O texto orientador deverá estar pronto até o final deste mês e em seguida iremos disponibilizá-lo na comunidade virtual. Contudo, há exemplos de bons relatos em vários números da revista Na Ponta do Lápis, que está disponível virtualmente.
P - Oi, Sônia, estou gostando muito de trabalhar com os textos do alunos. Tenho observado que se esforçaram para escrever de acordo com o gênero solicitado. Tenho encontrado, apesar disso, muitos textos que simplesmente fazem um relato ou que são textos autobiográficos. Tenho me pautado, na avaliação, não só pelos aspectos característicos do gênero, mas pela possibilidade que antevejo de os textos serem retrabalhados e de se tornarem, realmente, bons textos de memória literária.
Sonia Madi - Que ótimo, é isso mesmo o que eu estava dizendo. Precisamos olhar para o potencial dos textos, contando com a oportunidade que os semifinalistas terão de aprimorá-los.
P - Tenho uma dúvida que se liga ao comentário anterior: avaliei textos do gênero Artigo de Opinião. Um deles apresenta todas as marcas do gênero mas é engessado, não seduz ou estimula o leitor. Um outro não apresenta todas as características esperadas, mas é uma delícia de ler, está muito bem escrito. Como avaliar? Qual deles merece maior nota?
Sonia Madi - O texto que merece maior nota é aquele que cumpre com o seu objetivo. O artigo de opinião tem o objetivo de convencer o leitor. Se o texto conseguiu instigar meu interesse, provocou reflexão e acabou convencendo, esse é o melhor texto. Devemos nos guiar mais pela situação de produção do que pelas marcas do gênero.
P - Um flash pequeno, um acontecimento instantâneo pode dar uma boa crônica?
Sonia Madi - Os pequenos acontecimentos do quotidiano são a matéria prima das crônicas! É preciso ensinarmos os alunos a andarem de olhos abertos, para flagrá-los!
P - Tenho achado importante mudar o olhar na avaliação dos textos. Ao invés de "buscar erros", deixar o texto livre para me dizer o que está por detrás dele. A leitura fica mais agradável e, assim, posso perceber o potencial dos autores.
Sonia Madi - Que comentário lindo! É isso mesmo o que queremos ajudar nossos avaliadores a enxergarem nos textos! Obrigada!
P - Esse é um caminho legal.  O lugar de avaliar como um lugar de verificar as possibilidades e não "erros".
P - Fale um pouquinho pra gente sobre a avaliação do tema: sinto que muitas vezes o avaliador espera a nomeação e deixa de perceber ou valorizar que o texto traz elementos que destacam o lugar onde se vive de um jeito particularizado.
Sonia Madi - É isso mesmo! No início chegamos a comentar a respeito do tema, do olhar ampliado que devemos ter para essa questão.
P - As comissões devem dar um retorno sobre a avaliação dos textos às escolas? De que forma?
Sonia Madi - Seria um ótimo procedimento para as comissões municipais reunir representantes das escolas e conversar sobre a produção dos alunos, mas é uma iniciativa que cabe a eles. Nós recomendamos que o adotem.
P - Percebi que os avaliadores ficaram em dificuldade em relação ao tema. Às vezes o texto estava dentro do gênero, mas falava de um lugar genérico. As oficinas também poderão ajudar nestes casos, não acha? Comente um pouco.
Sonia Madi - Sim, se o texto traz indícios próprios do lugar, o trabalho nas oficinas ajudará a destacá-los. Há textos em que só quem mora na região tem o olhar sensível para identificar o quanto está retratando essa realidade. Precisamos estar abertos para esse olhar, mas pode ser difícil na etapa estadual fazer esse reconhecimento.
P - Há data provável para o resultado regional?
Sonia Madi - As oficinas ocorrerão em novembro e até o final de outubro os semifinalistas estarão divulgados no site.
Sonia Madi - Agradeço a todos pelas perguntas e desejo que estejam conosco nas próximas etapas!
Publicado em: 22/09/2010http://escrevendo.cenpec.org.br/ecf/index.php?option=com_content&task=view&id=25345

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA - 2010

EIS NOSSOS REPRESENTANTES NA OLIMPÍADA  DE LÍNGUA PORTUGUESA:
NA CRÔNICA  - WÁLACY,
EM MEMÓRIAS LITERÁRIAS - LAURA MORAIS ,
NA POESIA - TAYNARA,
E EU - APARECIDA - A PROFESSORA DESSES TALENTOSOS ALUNOS!!!!!!!!

           
Orquestra na roça

Wálacy
      O amanhecer na roça se transforma em uma disputa de cantos entre belos galos  com suas posturas de reis do terreiro. Galos jovens, galos mais velhos ou até garnisés, formando uma orquestra de melodias diferentes com a magnitude de tantas vozes afinadas.
                Eu não conseguia definir qual canto era o mais perfeito. Observo a serenidade do pequeno galinho garnisé e a imponência do grande galo índio com seu canto curto e grosso, não muito afinado mas com uma característica diferenciada. São  vários galos na disputa: o músico, o garnisé, o índio, o pedrês, o gigante zabrão, o rabichara, o comum...
                Depois de ouvir essa mistura de cantos por mais de horas, ora um, ora outro, ora vários ao mesmo tempo, considerei que o belo galo músico ganhara a disputa com seu canto comprido levando o bico ao chão, ficando quase dois minutos sem parar de cantar. Seu esplendor, a sua postura de rei juntam-se a seu magnífico canto que suavemente passa pelos meus ouvidos e me deixa alegre por ter acordado admirando lindas canções compostas pelos galos, sendo todos cantores natos, profissionais!

Wálacy  Vieira Gomes, 9º ano – 2010


                        PELAS ESTRADAS

Laura e Aparecida
           Enquanto meu avô contava-me suas histórias, passavam imagens em minha cabeça parecendo que eu estava junto dele nesta incrível viagem...
           “A hora da partida se aproxima. Inquietação total. Ouvia-se o toc-toc das patas dos cavalos a bater nas pedras do calçamento da rua principal onde reuníamos para  pegar a estrada. Era pouco mais das três da manhã.

Era o meu primeiro dia de tropeiro. Tudo pronto: o alforje, a capa de chuva, espora, chicote...Ia um ou dois cargueiros levando as panelas, a carne seca, o feijão, a farinha, as cobertas, umas redes de dormir e outras coisas necessárias para nossa viagem.Cada tropeiro procurava enfeitar mais a sua montaria com pelego, peitoral, rabicho, porta-capa de babado  - era uma competição de ornamentos.Já estávamos prontos e em poucos minutos estaríamos percorrendo as estradas levando mais uma tropa para ser negociada em São Paulo – eram mais de trezentos  animais entre burros, mulas e jumentos. Fomos saindo passo a passo...
Seriam quarenta dias consecutivos de viagem, quarenta noites dormindo pelas estradas, em fazendas já acostumadas a receber tropeiros na ida e volta de suas longas viagens. Em algumas dormíamos em paiol, em outras na varanda, ou em quartinhos destinados aos empregados, até mesmo na coberta do curral. Nossas refeições eram feitas nas estradas – farinha, feijão,ovo e torresmo, tudo misturado – o “feijão-tropeiro” – daí o nome desse famoso prato.
Em nossas paradas nas cidades  havia diversão, sempre o “Deli”, um dos companheiros mais festeiros,arrumava uma “radiola” -  toca- discos daquela época - e juntava muita gente pra dançar e prosear – que é bem semelhante aos passeios a cavalo  que fazemos aqui em Santo Antônio e que chamamos “Cavalgoles” por ser somente pelo prazer de cavalgar, tomar uns goles nas paradas e dançar um  forró.
Bem, assim se passavam os dias até chegarmos em Passos , cidade na divisa de Minas Gerais com São Paulo. Lá encontrávamos os paulistas que iriam comprar os animais e também aceitávamos trocas. Depois das negociações voltávamos, nos divertindo, amansando burros bravos e colecionando histórias pra contar.

Lembro-me dessa viagem como se fosse ontem, naquela época eu tinha 17 anos... É!... Já se passaram 53 anos! (Como o tempo passa rápido!)”

(Texto baseado na entrevista de Altamirano , meu avô)
Laura Ferreira Morais, 7º ano, 2010 



MEU CANTINHO

Taynara - declamando esse poema na Mostra de Leitura
Co – co – ri – có!
Raiou o dia
O galo anuncia
Tá na hora, dona Maria,
De um café quentinho preparar.

Da  lenha nasce a chama
E o fogo baixo inicia sua sina
Pra espantar o frio da manhã
Rodeando o fogão de lenha
Reúne a família e combina.

Cada um procura o que fazer
Nossa vida não é só lazer
Para a natureza nos agraciar
Não dá pra ver apenas o tempo passar.

Enquanto isso o tic tac do relógio
Vai sem parar o tic tac sem fim,
brilha  o sol cada vez mais  alto
O dia também procura o fim.

Chega a hora do almoço
Saco vazio não para em pé
Dizem por aí - é verdade verdadeira
Na qual eu boto fé.

Depois de encher a barriga
É melhor dar uma descansada
Pois ninguém é de ferro.
Ainda vamos pra cidade.

A tarde vem num piscar de olhos
O dia está indo embora...
As contas, a reunião na escola,
Tudo acertado e a correria para.

Vencido mais um dia
O sol já cumpriu sua jornada
E eu, cumpri a minha?
É hora de jantar e bater papo.

Depois desse corre corre
Tudo pára
O tempo esfria
O fogão de lenha me atrai
O fogo aquece a conversa.

Mas é hora de por os olhos na bainha.
O frio aperta,me enrolo e enrosco.
Madrugada,  sono pesado
Belos sonhos...e que sonhos!

E de novo co-co- ri-có...
Novamente mais um dia
Acorda, dona Maria,
E faz um café pra nos esquentar.

E  nessa rotina
Segue a vida desse lugar
e agradeço todos os dias
o poder de desfrutar
desse cantinho especial.
   (Taynara, 6º ano, 2010)